O mistério D

O Atual Desafio da vitamina D no mundo é entender os sintomas da deficiência desta vitamina observados de forma tão freqüente em países com pouca ou grande incidência de sol, como foi mostrado na pesquisa realizada.

Sempre lembrarmos das orientações de nutricionistas e médicos que nos dizem que o sol, ou a radiação solar mais especificamente, é necessária à ativação da vitamina D no nosso organismo, entretanto estamos cada vez menos nos expondo aos tão temidos raios solares UVB famoso vilão no câncer de pele e que são os responsáveis pela ativação desta vitamina no nosso organismo, seja por falta de tempo ou pela alta tecnologia dos tecidos e sem esquecer dos nossos poderosos filtros solares, e assim as pesquisas mais recentes indicam um grave problema de hipovitaminose D na população com baixa ou alta insolação.

Em 26 de julho deste ano o Jornal New York Times publicou uma matéria chamando a atenção aos problemas que a deficiência de vitamina D pode causar: cânceres de colon, próstata e mama, hipertensão arterial, alterações imunológicas resultando em infecções e doenças auto-imunes como esclerose múltipla, diabetes tipo I e artrite reumatóide.

Os seguintes sintomas também estão associados à hipovitaminose D:
– Fraqueza muscular
– tuberculose
– Asma
– Sinusite
– Obesidade
– Resistência à insulina
– Dislipidemia
– Intolerância à glicose
– Dores musculares frequentemente associadas à fibromialgia.

Ainda este ano a Escola de Saúde Pública de Harvard publicou uma notificação para pessoas que moram em regiões de baixa incidência de sol nos Estados Unidos, alertando sobre os sintomas acima como um possível alerta de deficiência de vitamina D.

Um estudo publicado pela Universidade de Graz na Áustria demonstrou a relação da vitamina D com a liberação do hormônio testosterona no sangue. Segundo o estudo, homens teriam níveis mais altos deste hormônio nos períodos de maior insolação como verão e primavera e níveis reduzidos no inverno e outono. A ação da vitamina D sobre os hormônios androgênicos é um dos principais motivos da deficiência de reestruturação muscular nos adultos com hipovitaminose D.

Quando pensamos nas fontes alimentares de vitamina D, que incluem leite e derivados, castanhas, soja, atum, salmão, gema de ovo, fígado e o tão conhecido óleo de fígado de bacalhau, temos que considerar que para ser absorvida, a vitamina D depende de um meio oleoso, pois é lipossolúvel e na atualidade a vedete das dietas são as fibras alimentares. As fibras são uma forma que encontramos de diminuir a absorção de gorduras e óleos em uma refeição e isso pode ser um dos motivos dos baixos índices de vitamina D encontrados nos resultados de exame de sangue em diversos trabalhos publicados.

Observar hoje que um esporte como a corrida poderia ser incentivado como uma forma de melhorar a absorção de vitamina D pode parecer simples, entretanto, o uso de tecidos com tecnologia anti UVA e UVB, a pratica de exercício em ambientes fechados ou no período noturno pode contribuir para a diminuição da exposição solar e como conseqüência a redução da formação da Vitamina D na pele. Questiona-se ainda o uso de filtros dermatológicos contra a radiação UVB, entretanto poucos estudos demonstram clareza nos seus resultados e sabendo-se dos riscos de câncer de pele, a recomendação continua sendo: use o filtro solar se for se expor ao sol por mais de 15 minutos consecutivos.

A importância da vitamina D na recuperação muscular e na diminuição das lesões ósseas já está descrita de forma contundente na literatura e ainda hoje trabalhos científicos continuam provando que uma taxa adequada de vitamina D melhora a recuperação muscular e recuperação óssea em indivíduos adultos. Portanto, quando observamos que a hipovitaminose D pode causar redução da testosterona disponível no sangue, aumento da resistência à insulina e glicose, e diminuição da reposição do cálcio no organismo, vale a pena checar seus níveis sanguineos desta vitamina se você é praticante de atividade física de alta intensidade.

A polêmica sobre o uso de cremes bloqueadores de raios UVB segue sendo investigada pelos laboratórios das universidades nacionais e internacionais, mas fica a dica:
– Tome pelo menos 15 minutos de sol no período entre 06 as 10 da manhã ou após as 16 horas sem filtros ou barreiras físicas de proteção contra radiação UVB pelo menos 3 vezes na semana. Após 10 horas da manhã e antes das 16 horas o uso de filtros e barreiras contra radiação são absolutamente necessários.

– Consuma alimentos fontes de vitamina D sem associação às fibras alimentares pelo menos1 vez ao dia.
– Verifique seus níveis de vitamina D no sangue junto com seu Nutricionista e/ ou médico.
– Só use suplementos de vitamina D sob a orientação do seu Nutricionista.

Dra. Patrícia Alves Soares
Especialista em Nutrição Biomolecular
Especialista em Nutracêuticos
Especialista em Oxidologia