Fique de olho no glúten

Nos últimos anos, no Brasil e em países do mundo desenvolvido, a obesidade se tornou um problema de saúde pública mais importante que a desnutrição.

Em 2009 um estudo realizado na Universidade de Purdue, Indiana, EUA apresentou uma nova visão sobre obesidade: a ligação entre o aumento da liberação do hormônio insulina e o aumento do tamanho dos adipócitos (células que armazenam a gordura).

Com o aumento de prevalência de obesidade, identificou-se que, além do Diabetes Tipo 2 e da síndrome metabólica, outras entidades clínicas também estavam associadas à resistência à insulina. No Brasil em 2003 Pesquisadores da Unicamp demostraram a relação da obesidade com aumento circunferência abdominal, e a resistência à insulina que nada mais é do que uma impossibilidade deste hormônio de se ligar às células, causado por uma hiperliberação do mesmo. Estas informações são de grande importância quando queremos reduzir a formação de gordura corporal.

Quando pensamos na alimentação atual observamos que o alto consumo de alimentos ricos em açúcares ou carboidratos brancos está relacionado ao aumento da obesidade, dentro deste contexto se insere a questão dos alimentos sem glúten. Estes alimentos são preparados sem utilizar produtos como farinha de trigo, aveia, centeio e cevada que contém na sua composição além de amido uma proteína chamada glúten.

Um estudo realizado pela Universidade de Cambridge no Reino Unido, e publicado na Revista Diabets Care da Associação Americana de Diabetes em julho de 2002 mostrou a associação entre o perfil de insulina em pacientes com Diabetes Tipo 1 e o consumo de uma dieta sem glúten. Na pesquisa a retirada do glúten da dieta melhorou os parâmetros glicemia nestes pacientes. A dieta sem glúten permitiu um controle maior do açúcar no sangue destes pacientes minimizando efeitos como a hipoglicemia.

Um estudo publicado pela Universidade Lund na Suécia e publicado na Revista American Journal of Clinical Nutrition da Sociedade Americana de Nutrição Clínica em 2004 demonstrou através do chamado Índice Insulinêmico a capacidade que alguns alimentos têm de estimular a liberação do hormônio insulina e nesta pesquisa os pães, as batatas e alimentos açucarados tiveram os mais altos índices de liberação deste hormônio. Complementando esta informação temos o trabalho Realizado pela Universidade de Sidney, Austrália em 1997, onde foram comparados o índice insulinêmico de alimentos como pães brancos com e sem glúten e o resultado indicou que os pães com alto teor de glúten promovem maior liberação de insulina.

Além de problemas como a obesidade, o excesso de consumo de alimentos que aumentam a insulina pode provocar alterações clínicas como doença hepática gordurosa não alcoólica, Síndrome dos Ovários Policisticos, a hiperuricemia, a doença renal crônica, a insuficiência cardíaca, alterações cognitivas e câncer, segundo trabalho publicado pela Unicamp em 2006.

Preste bastante atenção sintomas de falha de concentração e memória que aumentam a cada dia pois o glúten pode ser uma das causas desta situação.

Isto se deve, principalmente, à detecção de algumas substâncias no sangue e urina que são: gluteomorfina e caseomorfina, peptídeos derivados da proteína do glúten e da caseína respectivamente. Estes peptídeos apresentam similaridade às substâncias opióides e às suas ações no sistema nervoso central. Também promovem outros efeitos, tais como: redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e inibição de alguns neurotransmissores. De acordo com os dados observados, as substâncias opióides são derivadas de algumas proteínas da alimentação comum, tais como: o glúten e a caseína.

Os peptídeos atuam como reguladores ou como moléculas sinalizadoras que afetam uma variedade de sistemas de neurotransmissores que regulam o comportamento. Em 1979, Dr. Jaak Panksepp, sugeriu que peptídeos incompletamente digeridos, que após absorvidos passariam a ter atividade opióide, poderiam ser os causadores do autismo, dando início a teoria do “Excesso de Opióides” como causadora ou agravadora do autismo, mas estas substâncias também são encontradas em pessoas não-autistas segundos outras pesquisas realizadas.

Não fique de cabelo em pé! Principalmente se você consome glúten, pois o Jornal Europeu de Dermatologia publicou em  2006 uma pesquisa apontando a Intolerância ao glúten (Não a alergia ao glúten) como uma das principais causas de doenças de pele como alopecia (queda de cabelo) urticária, dermatites, psoríases, vasculites, estomatite ulcerativa crônica e outras.

Uma das causas de calvície é a alteração androgênica causada pelo excesso de uma forma de testosterona chamada Dihidrotestosterona. Esta forma de testosterona é aumentada no organismo quando temos um aumento da ação da insulina e já sabemos que o glúten tem alta capacidade de aumentar este hormônio.

Enfim, se queremos ficar magrinhos, com pele e cabelos bonitos neste verão pense bastante antes de comer aquele pãozinho… hã… até mesmo o integral tem glúten!

Dra. Patrícia Alves Soares
Especialista em Nutrição Biomolecular
Especialista em Nutracêuticos
Especialista em Oxidologia