Alimentos funcionais – Parte I

Prevenção de doenças e promoção da saúde.

 

O princípio “Deixe o alimento ser teu remédio e o remédio ser teu alimento”, exposto por Hipócrates aproximadamente 2.500 anos atrás, está recebendo um interesse renovado. Em particular, tem havido uma explosão do interesse dos consumidores no papel de alimentos específicos ou componentes alimentares ativos fisiologicamente, os supostos alimentos funcionais de melhorar a saúde.

Obviamente, todos os alimentos são funcionais, por proporcionarem sabor, aroma ou valor nutritivo. Durante a última década, entretanto, o termo funcional como aplicado aos alimentos tem adotado uma conotação diferente: que é a de proporcionar um benefício fisiológico adicional além daquele de satisfazer as necessidades nutricionais básicas.

Conheca alguns alimentos funcionais:

Aveia.
Produtos com aveia são uma fonte dietética amplamente estudada de fibras solúveis b-glucanas redutoras de colesterol. Há agora uma concordância científica significativa de que o consumo deste alimento vegetal em particular pode reduzir o colesterol total e a lipoproteína de baixa densidade (LDL), desse modo reduzindo o risco de doenças cardíacas coronarianas.

Soja.
A soja tem estado na berlinda durante os anos 90. A soja não apenas é uma proteína de alta qualidade, conforme avaliação pelo método “Escore de Aminoácidos Corregido pela Digestibilidade Protéica” (Protein Digestibility Corrected Amino Acid Score) do FDA, mas agora tem se pensado que ela desempenha um papel preventivo e terapêutico na doença cardiovascular (DCV), câncer, osteoporose e o alívio dos sintomas da menopausa.

Linhaça.
Entre os principais óleos extraídos de sementes, o óleo de linhaça contém o maior conteúdo (57%) do ácido graxo ômega-3, um ácido a-linolênico. As pesquisas atuais, todavia, têm se concentrado mais especificamente nos compostos associados a fibras conhecidos como lignanas. As duas lignanas primárias de mamíferos, enterodiol e seu produto oxidado, enterolactona, são formadas no trato intestinal pela ação bacteriana sobre precursores da lignana vegetal. A linhaça é a fonte mais rica de precursores de lignana de mamíferos. Devido ao fato que o enterodiol e a enterolactona são estruturalmente similares tanto aos estrogênios sintéticos como aos de ocorrência natural, e porque vem sendo mostrado que eles possuem atividades estrogênica fraca e anti-estrogênica, eles podem desempenhar um papel na prevenção de cânceres dependentes de estrogênios. Entretanto, não há nenhum dado epidemiológico e relativamente poucos estudos com animais para apoiar esta hipótese. Em roedores, a linhaça demonstrou diminuir tumores do cólon e da glândula mamária bem como do pulmão.

Alho.
O alho (Allium sativum) é provavelmente a erva mais amplamente citada na literatura por propriedades medicinais. Desse modo, não é uma surpresa que o alho tenha alcançado o posto de segunda erva mais vendida nos Estados Unidos nos últimos dois anos. Os benefícios à saúde propostos para o alho são numerosos, incluindo quimioprevenção do câncer, propriedades antibióticas, anti-hipertensivas e redutoras do colesterol.
O sabor e o odor característico do alho se devem a uma abundância de elementos hidro e lipossolúveis que contêm enxofre, que também são provavelmente responsáveis pelos vários efeitos medicinais atribuídos a esta planta. Entretanto, bulbos intactos de alho contêm somente alguns dos componentes ativos medicinalmente. O bulbo de alho intacto contém um aminoácido inodoro, a alina [alliin], que é convertida enzimaticamente pela alinase em alicina quando o dente de alho é moído. Este último componente é responsável pelo odor característico do alho fresco. A alicina então espontaneamente se decompõe para formar numerosos compostos que contêm enxofre, alguns dos quais têm sido investigados por suas atividades quimiopreventivas.

Brócolis e outros Vegetais Crucíferos.
Evidência epidemiológica tem associado o consumo freqüente de vegetais crucíferos com a diminuição do risco de câncer. Em uma revisão recente de 87 estudos caso-controle, pesquisadores demonstraram uma associação inversa entre o consumo total de vegetais brassica e o risco de câncer. A porcentagem dos estudos caso-controle que mostraram uma associação inversa entre o consumo de repolho, brócolis, couve-flor e couve de Bruxelas e risco de câncer foi de 70, 56, 67 e 29%, respectivamente. Os cientistas atribuiram as propriedades anti-carcinogênicas dos vegetais crucíferos ao seu conteúdo relativamente alto de glicosinolatos.

Frutas Cítricas.
Diversos estudos epidemiológicos têm demonstrado que as frutas cítricas possuem um efeito protetor contra uma variedade de cânceres humanos. Ainda que laranjas, limões, limas e toranjas [grapefruits] sejam uma das principais fontes de importantes nutrientes como vitamina C, folato e fibras, Pesquisadores tem sugerido que outro componente seja o responsável pela atividade anti-câncer. As frutas cítricas são particularmente ricas em uma classe de fitoquímicos conhecida como limonóides.

Oxicoco (arando, uva-do-monte) [Cranberry].
O suco do oxicoco tem sido reconhecido como eficaz no tratamento de infecções do trato urinário desde 1914, quando foi relatado que esta fruta rica em ácido benzóico causava acidificação da urina. Investigações recentes têm se concentrado na capacidade do suco do oxicoco em inibir a aderência da Escherichia coli às células uroepiteliais. Este fenômeno tem sido atribuído a dois componentes: frutose e um composto polimérico não dialisável. Descobriu-se que este último componente, subseqüentemente isolado dos sucos do oxicoco e do fruto do vacínio [blueberry], inibe adesinas presentes nos cílios da superfície de certas E. coli patogênicas.